Ultimamente venho atendendo muitos pacientes portadores de DTM (disfunção têmporo-mandibular) com sintomas como estalos nas articulações, limitação de abertura da boca e dores faciais.
Muitas destas pessoas chegam ao consultório e me pedem para solicitar um exame de ressonância magnética das ATMs (articulações têmporo-mandibulares) para a definição do diagnóstico.
A ressonância mostra imagens do disco articular permitindo diagnosticar seus deslocamentos, que podem estar associados a distúrbios nas articulações. Além disso é um exame não-invasivo muito bem tolerado pelos pacientes.
Mas apesar de ser útil para definir a posição do disco articular dentro da ATM, esta definição raramente vai alterar ou interferir no tratamento que deve ser realizado a fim de reduzir o desconforto do paciente.
Por isso, antes de pedir um exame de imagem como este, o dentista deve realizar uma avaliação clínica completa que inclui:
- · Palpação das articulações e da musculatura envolvida na mastigação para identificar pontos doloridos.
- · Observação dos movimentos mandibulares em busca de desvios na trajetória de abertura e fechamento da boca ou ainda travamento durante os movimentos.
- · Análise dos sons produzidos pelas articulações durante os movimentos como estalidos e crepitações.
- · Anamnese que inclua perguntas sobre hábitos viciosos, problemas emocionais, histórico familiar de doenças (principalmente articulares como reumatismo e artrite), queixas e sintomas do paciente.
Apenas depois da coleta e análise destas informações o dentista estará apto a fazer um diagnóstico preliminar e então avaliar se um exame de imagem será relevante para o plano de tratamento ou não.
Um bom profissional não é necessariamente aquele que passa uma série de exames caros na primeira consulta.
A tecnologia é uma ferramenta importantíssima na área de saúde, mas ainda não substituiu a necessidade de um exame clínico bem realizado.