Aparelhos Ortodônticos Auto-Ligados

3 de novembro de 2010

Olá pessoal, depois de um longo período sem postagens, estamos de volta para falar sobre os aparelhos auto-ligados, um dos assuntos de maior destaque no Congresso Internacional de Ortodontia SPO-2010 realizado em São Paulo no mês passado.

Os brackets auto-ligados têm como principal característica uma pequena tampa que prende o arco ao bracket eliminando a necessidade das ligaduras elásticas, as famosas borrachinhas do aparelho.

Uma das vantagens é uma redução do atrito entre o arco e o bracket que é muito alto quando usamos as ligaduras elásticas.

A redução do atrito permite que o ortodontista trabalhe com forças mais leves diminuindo o desconforto e o risco de lesões nas raízes dos dentes.

Além disso também pode reduzir o tempo de tratamento em alguns meses dependendo do caso e da capacidade técnica do profissional.

Quase todos os fabricantes de material ortodôntico já estão produzindo brackets auto-ligados e muitos ortodontistas estão adotando estes aparelhos nos seus tratamentos.

Mas é importante lembrar que aparelho nenhum substitui um profissional bem preparado e um planejamento adequado do tratamento. O aparelho é apenas uma ferramenta de trabalho do ortodontista.

E também precisamos deixar claro que continua sendo possível obter ótimos resultados com os brackets tradicionais e que nem todos os profissionais estão adotando brackets auto-ligados nas suas clínicas.

Vamos voltar a falar sobre este assunto em breve, mas por enquanto ficamos com este fato: A tecnologia é capaz de aprimorar nossas ferramentas de trabalho e isso é maravilhoso. Mas ferramentas precisam ser operadas por pessoas. Nada substitui um bom profissional.

Preço do tratamento ortodôntico

8 de outubro de 2010

O valor do tratamento sempre é uma questão polêmica: O aparelho é cobrado? Só paga manutenção? Se não for à consulta tem que pagar? O prazo é fechado? Vou ficar pagando até quando?

Bem, eu vejo o tratamento como um serviço que deve ser vendido ao cliente por um determinado valor. Valor este que é definido pelo ortodontista.

Aqui cabe uma observação: Nenhum órgão ligado à profissão estabelece um teto para valores de procedimentos odontológicos, não existe uma tabela oficial e os profissionais têm liberdade para cobrar o que acharem justo pelos seus serviços.

Da mesma forma os clientes têm o direito de negociar e escolher a melhor opção. Ou seja, nada diferente de qualquer compra que realizamos no dia-a-dia.

Atualmente temos muita variação nos preços e nas formas de pagamento dos tratamentos ortodônticos, mas no final das contas o cliente vai pagar um valor total.

Este valor pode ser cobrado na forma de mensalidades, com ou sem entrada e até mesmo à vista.

Eu vou focar este post na questão da “entrada” ou “aparelho”, enfim, aquele valor inicial que é cobrado por alguns ortodontistas.

Acredito que o uso da palavra “aparelho” pode levar o cliente a pensar que está pagando apenas o custo do material, o que pode ser verdade em alguns casos, mas nem sempre é assim.

Então está errado cobrar mais que o valor do material no início do tratamento?

Não, não está errado.

O ortodontista precisará dedicar tempo para estudar o caso e elaborar um plano de tratamento. Ele pode cobrar um valor que ache justo por este trabalho inicial.

Mas ele também pode apenas repassar os custos de material para o cliente.

Assim como pode preferir não cobrar nada com a intenção de criar um diferencial de preço.

Ou seja, cada profissional decide de que forma quer cobrar pelos seus serviços, mas devemos lembrar que o aparelho é a ferramenta de trabalho do ortodontista e seu custo sempre estará incluído no valor total do tratamento assim como o custo do conhecimento do profissional e o custo operacional da clínica.

Como o preço não deve ser a única coisa a se avaliar na hora de escolher seu ortodontista, eu recomendo a leitura deste post:

como escolher seu ortodontista

No próximo post vou falar sobre as “manutenções” que eu prefiro chamar de “mensalidades”.

Abraços,

Dr. Andre Moreira

DTM e Ressonância Magnética

4 de outubro de 2010

Ultimamente venho atendendo muitos pacientes portadores de DTM (disfunção têmporo-mandibular) com sintomas como estalos nas articulações, limitação de abertura da boca e dores faciais.

Muitas destas pessoas chegam ao consultório e me pedem para solicitar um exame de ressonância magnética das ATMs (articulações têmporo-mandibulares) para a definição do diagnóstico.

A ressonância mostra imagens do disco articular permitindo diagnosticar seus deslocamentos, que podem estar associados a distúrbios nas articulações. Além disso é um exame não-invasivo muito bem tolerado pelos pacientes.

Mas apesar de ser útil para definir a posição do disco articular dentro da ATM, esta definição raramente vai alterar ou interferir no tratamento que deve ser realizado a fim de reduzir o desconforto do paciente.

Por isso, antes de pedir um exame de imagem como este, o dentista deve realizar uma avaliação clínica completa que inclui:

  • · Palpação das articulações e da musculatura envolvida na mastigação para identificar pontos doloridos.
  • · Observação dos movimentos mandibulares em busca de desvios na trajetória de abertura e fechamento da boca ou ainda travamento durante os movimentos.
  • · Análise dos sons produzidos pelas articulações durante os movimentos como estalidos e crepitações.
  • · Anamnese que inclua perguntas sobre hábitos viciosos, problemas emocionais, histórico familiar de doenças (principalmente articulares como reumatismo e artrite), queixas e sintomas do paciente.

Apenas depois da coleta e análise destas informações o dentista estará apto a fazer um diagnóstico preliminar e então avaliar se um exame de imagem será relevante para o plano de tratamento ou não.

Um bom profissional não é necessariamente aquele que passa uma série de exames caros na primeira consulta.

A tecnologia é uma ferramenta importantíssima na área de saúde, mas ainda não substituiu a necessidade de um exame clínico bem realizado.

Disjuntores Palatinos

7 de setembro de 2010

A disjunção palatina é utilizada na ortodontia para aumentar a largura da maxila (arcada superior), o que pode ser muito útil na correção de mordidas cruzadas e na obtenção de espaço.

Como este recurso é muito utilizado pelos ortodontistas, eu sempre recebo perguntas relacionadas a estes aparelhos.

Os disjuntores são aparelhos que se fixam aos primeiros molares e aos primeiros pré-molares através de bandas e possuem um parafuso expansor que ao ser ativado produz uma força de expansão da arcada.

Na imagem vocês podem ver um disjuntor do tipo Hirax. Existem outros aparelhos como o Haas e o Mc Namara que são parecidos e funcionam praticamente da mesma maneira.

Disjuntor palatino Hirax

Disjuntor palatino Hirax

Na Disjunção a arcada superior (maxila) sofre uma ruptura da sutura palatina mediana. É como se o palato (o céu da boca) fosse cortado ao meio e as duas metades separadas.

Como resultado temos o aumento da largura da arcada e o aparecimento de um diastema central (os incisivos centrais se separam).

Disjuntor Palatino Haas

Disjuntor Palatino Haas

Apesar de ser possível fazer disjunção palatina em adultos, quanto mais precoce for o tratamento, maiores as chances de sucesso.

Quando a disjunção não acontece, a força do aparelho pode trazer alguns problemas para os dentes como retrações gengivais.

Para reduzir o risco de problemas como este, o ortodontista precisa saber a idade esquelética do paciente. O que é feito através de uma radiografia do punho.

Disjuntor tipo Mc Namara

Disjuntor tipo Mc Namara

O tratamento costuma ser feito com ativações diárias do parafuso por um período de uma a duas semanas. Depois o aparelho deve ser mantido na boca sem ser ativado por três a quatro meses. Mas isso pode variar dependendo do caso.

É importante que o paciente tenha uma higiene cuidadosa. Principalmente quando o aparelho tem uma parte de resina em contato com a mucosa do palato.

Pode ser usada uma seringa plástica sem agulha para injetar água entre o aparelho e a mucosa e assim remover os resíduos de alimentos.

Além disso, uma boa escovação, fio dental e bochechos com atissépticos bucais.

Espero que esta informação seja útil para vocês.

Até o próximo post!

Dr. Andre Moreira

classe I, classe II e classe III

24 de agosto de 2010

Produzi este vídeo com imagens 3D para explicar esta classificação que sempre ouvimos quando vamos ao ortodontista. A classificação de Angle.

Aceito sugestões para o próximo vídeo.

Os Terríveis Triângulos Negros

2 de agosto de 2010

Estou escrevendo este post baseado na pergunta da Catarina.

Bem, vamos direto ao ponto. Estes são os triângulos negros:

Quando os incisivos (superiores ou inferiores) têm o formato triangular estes espaços podem se formar mostrando o escuro do fundo da boca. (Isso também pode acontecer em outros dentes, mas é nos incisivos que o problema aparece mais)

Vocês podem ver que na primeira figura o triângulo negro é bem menor por que os dentes têm um formato menos triangular que os da segunda imagem.

Vejam que os dentes já estão se tocando, por isso não adianta tentar aproximá-los mais usando elásticos e fazendo força.

A papila gengival é esta ponta de gengiva que se projeta entre os dentes.

Quando a papila diminui de tamanho pela idade ou problemas gengivais, as ameias, ou seja, os triângulos aparecem.

Às vezes quando alinhamos os dentes com ortodontia estes espaços também podem surgir.

A solução pode ser lixar os dentes no ponto de contato (desgastes interproximais) e juntá-los com o aparelho fixo diminuindo os triângulos.

Algumas vezes o preenchimento com resina pode ser uma opção.

É importante lembrar que este é um problema apenas estético e não traz riscos à saúde dos dentes.

Amamentação e crescimento facial da criança

29 de julho de 2010

De todos os benefícios que conhecemos sobre a amamentação, existe um que costuma ser esquecido: O desenvolvimento facial.

A amamentação é o primeiro exercício da musculatura facial (lábios, língua e bochechas) do recém-nascido. E devemos lembrar que o trabalho muscular estimula o crescimento ósseo.

Durante a sucção o bebê é obrigado a :

  1. Manter os lábios firmemente colados ao seio materno para evitar o vazamento do leite, isso promove o fortalecimento da musculatura labial que vai ser responsável pelo vedamento labial passivo no futuro (dormir de boca fechada, por exemplo).
  2. Usar a língua para deglutir estimulando o crescimento transversal (largura) do maxilar superior e a maturação da musculatura lingual (evitando problemas na fala e deglutição).
  3. Levar a mandíbula (arcada inferior) para frente e para trás repetidamente para “ordenhar” o seio materno estimulando o crescimento ântero-posterior da mandíbula (ou seja, o queixo da criança cresce para frente).

E ainda precisa respirar pelo nariz ao mesmo tempo. Isso estimula o desenvolvimento das fossas nasais e seios maxilares garantindo uma passagem mais ampla para o ar no futuro.

Um bom desenvolvimento das vias respiratórias afasta a chance da criança se tornar uma respiradora bucal.

Por isso, crianças amamentadas têm menos chances de ter atresia da maxila (arcada superior estreita), travamento mandibular (queixo pequeno) e apinhamentos (falta de espaço para os dentes), entre muitos outros problemas.

Este tema é muito extenso e não tenho a pretensão de esgotá-lo aqui.

Mas o que importa é que muitos dos problemas de desenvolvimento facial das crianças podem ser evitados com a amamentação.

Recomendo que todos os interessados procurem mais informações sobre o assunto. Os profissionais de fonoaudiologia são um bom começo.

Qual a diferença estética entre brackets de Porcelana e Safira?

13 de julho de 2010

Mais uma pergunta que eu sempre recebo:

“Qual a diferença entre a porcelana e a safira, do ponto de vista estético?”

Bem, em vez de ficar explicando resolvi fotografar duas clientes minhas, cada uma com um tipo de bracket e mostar aqui para que vocês mesmos possam avaliar.

Os dois aparelhos foram colados recentemente e as fotos foram tiradas logo depois da troca das ligaduras elásticas. Sem maquiagem ou photoshop, por isso acho que correspondem à realidade.

A imagem de cima é do aparelho de porcelana e a de baixo do aparelho de Safira.

Observem que nos dois casos estou usando arcos estéticos (que foram colocados no momento da foto), ainda estou testando esta marca para avaliar se o revestimento branco vai descascar com o tempo. Daqui a algumas semanas vamos ver se eles mantiveram o mesmo aspecto.

Aparelhos estéticos de porcelana e safira

E para finalizar este post eu gostaria de mostar um aparelho estético em que as ligaduras elásticas não foram trocadas e estão muito amareladas.

barcket-estetico-com-ligadura-amarelada

Este é um aparelho de policarbonato e as ligaduras estavam na boca a umas três semanas. Apesar do aparelho estar colado há mais de 20 meses, vocês podem observar que os brackets apresentam uma boa coloração.

O que compromete a estética antes de tudo são as ligaduras amareladas.

Por isso, independente do material usado nos brackets estéticos, é fundamental ter acesso ao seu ortodontista para a troca das ligaduras periodicamente afim de manter seu aparelho sempre com um aspecto agradável.

Dificuldade em manter o diastema central fechado

9 de julho de 2010

Esta postagem é para responder a pergunta do Renan que está reproduzida abaixo:

Usei aparelhos duas vezes, acabo de tirar e vou colcolar o móvel.mas o problema é que pela segunda vez, assim que eu tirei o aparelhos meus dentes da frente estam ficando separados novamente, como era antes, de eu usar aparelho, eu acho que pode ser problema na gengiva, ou na membrana vertical que tens entre o lábio e a gengiva está inserida um pouco abaixo do normal e por isso os dentes estão afastados. Quais problemas que existem nesse caso , o que Sr. me indica, qual a cirurgia correta que posso esta fazendo?
Desde já agradeço

Primeira Postagem em vídeo

9 de julho de 2010

Iniciando hoje uma nova fase do blog com postagens em vídeo, espero que vocês gostem.