Desgastes interproximais no tratamento ortodôntico

Desgastes interproximais e a sua aplicação nos tratamentos ortodônticos

Olá amigos do Ortodontista.net,

Recebi recentemente uma pergunta sobre a segurança de se fazer desgastes interproximais com o objetivo de reduzir a largura dos dentes para o alinhamento das arcadas.

Este procedimento pode ser chamado de “desgastes interproximais“, “slice” ou “strip” e é largamente usado na ortodontia atualmente.

Desgastes interproximais são indicados quando a falta de espaço na arcada não é tão grande que justifique extrações dentárias. Em vez de extrair dois pré-molares e criar um espaço de 8 mm de cada lado, pode-se reduzir a largura de alguns dentes obtendo dois a três milímetros, por exemplo.

Este recurso também é usado quando os dentes apresentam um formato muito triangular, o que pode criar uma instabilidade no resultado do tratamento. Nestes casos os desgastes interproximais vão aumentar a estabilidade do resultado.

Existem ainda diversas outras situações onde o ortodontista pode usar desgastes interproximais, mas vamos nos concentrar em como se faz o procedimento.

O importante é que a indicação seja correta e que o desgaste seja realizado com bastante cuidado para evitar o risco de danificar o dente.

O desgaste pode ser feito com tiras de lixa manualmente, o que leva mais tempo, mas é mais seguro por ser um processo lento. Pode ser feito todo o desgaste em uma única consulta ou gradualmente a cada consulta desgastando aos poucos. Esta técnica é mais usada em dentes anteriores.

Ou podemos usar discos de lixa acionados por motor que permitem um desgaste mais rápido. Neste caso é necessário um cuidado redobrado pois um movimento em falso pode desgastar o dente de forma errada.

Brocas finas também são usadas, principalmente nos dentes posteriores. Esta técnica, chamada também de recontorno, é ainda mais difícil e o recomendado é que se use separadores alguns dias antes para criar espaço entre os dentes como quando vamos confeccionar bandas ortodônticas assim evita-se danos aos dentes vizinhos.

Se tudo for feito corretamente, é possível obter espaço extra sem criar sensibilidade, aumentar o risco de cáries ou estragar a anatomia do dente.

Quanto à quantidade de desgaste, podemos dizer que é fundamental que o esmalte não seja totalmente removido.

A expessura do esmalte pode variar um pouco de uma pessoa para outra e de um dente para outro, mas podemos considerar que 0,25 mm é uma quantidade de desgaste segura para cada face do dente na maioria dos casos.

Também é indicado o uso de discos de lixa ultra-finos ou tiras de lixa de poliéster para acabamento afim de reduzir as rugosidades produzidas nas faces desgastadas. Este cuidado reduz o risco de cárie por acúmulo de placa bacteriana.

Concluindo, este é um procedimento eficaz e seguro quando os limtes são respeitados e vem sendo usado cada vez mais pelos ortodontistas com resultados positivos.

Um abraço,

Dr. Andre Moreira